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Trabalhar “de forma mais inteligente

October 9, 2020

Trabalhar “de forma mais inteligente

“Cidades que promovem mudanças”– este é um dos princípios fundamentais do City Cancer Challenge’s (C/Can) e a razão pela qual estamos constantemente nos esforçando para garantir que as operações e atividades do C/Can sejam “inteligentes”: baseadas em dados, adaptadas ao contexto local, eficientes e que aproveitem a experiência, os recursos e os compromissos da rede C/Can de partes interessadas e parceiros locais, regionais e globais.

Nesta história, analisaremos o que consideramos como os principais desafios e os principais promotores do sucesso no processo de engajamento das cidades do C/Can, através do qual ajudamos as cidades a melhorar a qualidade da infraestrutura e dos serviços de atenção oncológica e a capacitação dos profissionais de saúde. Estamos usando os principais conhecimentos e aprendizados das primeiras cidades (Cali, Assunção, Yangon, Kumasi, Kigali, Porto Alegre e Tbilisi) para escalar nosso modelo e garantir um impacto de longo prazo no acesso a um tratamento oncológico de qualidade. 

A implementação do City Cancer Challenge em Cali trouxe vários aprendizados, tais como: a importância de fortalecer a governança e a capacitação dos recursos humanos, fomentar a colaboração entre as várias partes interessadas e melhorar a qualidade do atendimento e dos sistemas de informação.” Nelson Sinisterra, ex-Secretário de Saúde de Cali, Colômbia

Participação multissetorial: ampla, local e flexível

Um desafio comum identificado nas cidades é a falta de coordenação multissetorial entre as diferentes instituições, organizações, indivíduos e agentes políticos que trabalham com o câncer. O processo de engajamento das cidades do C/Can demonstrou ser um modelo eficaz para enfrentar este desafio. Testamos e ajustamos continuamente essa abordagem com base nas lições aprendidas com nossas primeiras cidades. O processo atual descreve as principais fases do trabalho no nível municipal para melhorar o acesso a um tratamento oncológico de qualidade, que inclui:

  1. Participação de todas as partes interessadas locais de todos os setores relevantes;
  2. Avaliação abrangente das necessidades da cidade para identificar os principais desafios no tratamento do câncer, de acordo com os dados obtidos;
  3. Priorização de desafios e desenvolvimento de soluções locais;
  4. Planejamento para o financiamento, implementação e sustentabilidade de soluções locais para o tratamento do câncer;
  5. Monitoramento e avaliação de soluções.

Para garantir que o processo obtenha resultados ótimos e relevantes, cada cidade identifica e define suas próprias prioridades e projetos para atender suas necessidades locais, com o objetivo de melhorar os resultados para os pacientes oncológicos no longo prazo.

“Esta abordagem multissetorial e localizada continuará sendo a diretriz básica do C/Can à medida que o modelo for sendo replicado em outras cidades.” Rebecca Morton Doherty, Diretora de Política e Impacto Global do C/Can.

“Nossa abordagem para combater o câncer era fragmentada, com hospitais e outros prestadores de serviços de atenção oncológica trabalhando individualmente. A qualidade do atendimento que vemos agora se deve simplesmente ao fato de que todas as partes interessadas do setor da saúde estão trabalhando juntas. Além disso, agora contamos com apoio político, desde a presidência até o Ministro da Saúde, inclusive eu, como representante do presidente aqui; todos nós nos unimos para lutar contra o câncer”. Sr. Osei Assibey Antwi, Prefeito de Kumasi, Gana.

Fatores-chave para o sucesso: paixão, compromisso e participação local

Ao reunirmos representantes de vários setores para desenvolver coletivamente soluções para satisfazer as necessidades relacionadas ao tratamento do câncer, construímos redes em diferentes níveis:

  • Nível da cidade

Como parte do Processo de Engajamento da Cidade, designamos um Comitê Executivo da Cidade multissetorial, que reúne os principais tomadores de decisões dos setores público e privado da cidade; e grupos de trabalho multidisciplinares locais compostos por profissionais de saúde com experiência em todo o espectro do tratamento oncológico, inclusive nas áreas de patologia, radiologia e medicina nuclear, oncologia médica, radioterapia, cirurgia e cuidados paliativos.

“Reunir numa mesma mesa todas as partes envolvidas no atendimento de pacientes com câncer para analisar as necessidades e elaborar planos e projetos não é uma tarefa fácil para as organizações internacionais nos países em desenvolvimento. Mas o C/Can conseguiu isso em Yangon, graças ao seu suporte técnico, e liderado pelo Comitê Executivo da cidade de Yangon. Iniciativas multissetoriais são fundamentais para a construção de um movimento coletivo por soluções para um tratamento oncológico de qualidade e equitativo.” Thet Ko Aung, Gerente da Cidade de Yangon, C/Can.

Um fator fundamental desse modelo operacional é a participação ativa de todas as partes interessadas locais que voluntariamente dedicam seu tempo e experiência para apoiar sua cidade na coleta de dados, proporcionado assistência técnica e orientação, e até mesmo suporte logístico para o processo do C/Can. Vimos em primeira mão que a forte motivação pessoal e paixão dos nossos participanteslocais para melhorar o atendimento oncológico é o principal motivo de sua participação no processo da cidade do C/Can e para garantir seu sucesso.

  • Entre cidades, regiões e o mundo

Relações construtivas são essenciais para nossa forma de trabalhar e aproveitamos todas as oportunidades para reunir as diversas partes interessadas e maximizar os resultados. Isso inclui colocar em contato profissionais locais com especialistas de outras cidades e organizações internacionais, aproveitando o apoio prático, como treinamentos, e o intercâmbio de conhecimentos técnicos, experiências e boas práticas entre as regiões. A utilização de tecnologias remotas, como a plataforma de aprendizagem e formação ECHO, tem sido um fator eficiente e rentável na colaboração entre os países. Nossa parceria com o Projeto ECHO estimula os profissionais de saúde a ampliar seus conhecimentos e o intercâmbio de informações entre as cidades sobre áreas críticas no tratamento do câncer, através de uma série de sessões virtuais.

Aproveitar as oportunidades: catalisar a ação

No C/Can, participamos em colaborações abertas e inovadoras com cidades, parceiros e outras partes interessadas que estão gerando novas oportunidades no âmbito local e global para avançar no tratamento do câncer. Este “efeito multiplicador leva a novos resultados e impactos, às vezes imprevisíveis, sem que seja necessário realizar novos investimentos financeiros.

Nossa presença nas cidades demonstrou ter um efeito catalisador que promove a conscientização sobre o câncer como uma necessidade urgente e incentiva as partes interessadas locais a implementar mais ações no âmbito municipal para melhorar os esforços para controlar o câncer de uma forma mais abrangente. Em Cali, por exemplo, a identificação conjunta de desafops levou a uma maior priorização e alocação de recursos para o câncer cervical e resultou numa maior disponibilidade de vacinas contra o HPV. Saiba mais, ouvindo o as palavras do ex-Secretário de Saúde de Cali, Dr. Alexander Duran. Em Kumasi, a participação ativa de líderes locais no processo do C/Can ajudou a acelerar o estabelecimento de um escritório específico e um sala de reuniões para os registros de câncer, com o apoio da Prefeitura. Em Assunção, a aprovação da primeira Lei Nacional do Câncer pelo governo do Paraguai foi possível graças ao esforço conjunto do Comitê Executivo do C/Can na cidade. Saiba mais com a Dra. Alicia Pomata, Diretora do Programa Nacional de Controle do Câncer do Ministério da Saúde e Bem-Estar Social do Paraguai no INCAN (Instituto Nacional do Câncer).

“Cada vez há mais provas deste efeito nas cidades de todo o mundo, que estão aproveitando o apoio catalisador  do City Cancer Challenge (C/Can) para realizar investimentos inteligentes locais no combate ao câncer que estão gerando um valor exponencial. O primeiro e mais importante investimento feito foi organizar a comunidade local do câncer.”Dra. Susan Henshall, Diretora Executiva do City Cancer Challenge.

Um elemento fundamental para garantir que as operações e atividades do C/Can sejam “inteligentes” é fortalecer os recursos, capacidade e apropriação locais para garantir sustentabilidade e um impacto de longo prazo. O desenvolvimento e implementação de planos de sustentabilidade nas cidades do C/Can serão o foco de uma de nossas próximas histórias. Enquanto isso, fique atento à próxima história da série – avaliação do impacto – onde exploraremos o método do C/Can para medir o progresso e o impacto no curto e no longo prazo, com alguns destaques do nosso relatório de 2019.