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Agregar valor

October 9, 2020

Agregar valor

“Para pensar e agir localmente, são necessários dados locais”.

Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável

Uma das peças fundamentais do processo de engajamento da cidade no City Cancer Challenge (C/Can) é a avaliação das necessidades para obter informações detalhadas sobre a qualidade e capacidade dos serviços de atendimento oncológico numa cidade. Esta análise inclui os principais elementos do tratamento do câncer, como: radiologia e medicina nuclear, patologia e medicina laboratorial, oncologia médica, radioterapia, cirurgia, e cuidados paliativos e de suporte.

Através de um questionário digital, médicos, enfermeiras, farmacêuticos, assistentes sociais, técnicos e administradores dos serviços de atendimento oncológico em toda a cidade coletam dados sobre a gestão e qualidade desses serviços, assim como o nível de acesso da comunidade aos mesmos. O objetivo é gerar dados sistemáticos e confiáveis para identificar áreas que diferem dos principais parâmetros de referência e melhores práticas. Isso, por outro lado, permite que os líderes da cidade e especialistas locais identifiquem lacunas e oportunidades para melhorar a qualidade e o acesso a esses serviços oncológicos.

Nesta primeira história da série “Inside Story”, destacaremos alguns dos nossos aprendizados e os principais princípios e processos desenvolvidos nas cidades participantes do C/Can para ajudar a garantir que as soluções para o  tratamento do câncer satisfaçam fundamentalmente as necessidades locais.

“A ideia é trabalharmos juntos para identificar os problemas e pensar em soluções que modifiquem a realidade no sentido de dar mais qualidade de vida e assistência ao paciente oncológico”, afirma Pablo Stürmer, Secretário Municipal de Saúde e Membro do Comitê Executivo da Cidade de Porto Alegre – Brasil no C/Can.

Uma abordagem inclusiva: visão ampla e profunda

Para gerar conhecimentos sobre as necessidades do tratamento do câncer que possam ser transformadas em projetos realizáveis, é importante que os dados coletados representem todas as instituições públicas e privadas que prestam atendimento oncológico na cidade e da equipe multidisciplinar de profissionais envolvida na prestação deste atendimento. Em cada uma das cidades que participam atualmente no C/Can, o número de instituições dos setores público e privado que prestam serviços básicos de atenção oncológica varia entre 15 e 50. Nosso objetivo é incluir tantas instituições quantas forem necessárias para garantir que os dados obtidos englobam a maioria dos pacientes oncológicos que recebe tratamento.

O C/Can reforçacada vez mais n a importância de:

  1. Identificar as partes interessadas e conhecer profundamente o contexto dos prestadores de serviços de atenção oncológica desde o princípio do processo de participação da cidade no C/Can;
  2. Comunicação clara e prévia com as instituições dedicadas ao tratamento do câncer sobre o processo de participação da cidade no C/Can e como os dados compartilhados serão gerenciados, analisados e comunicados como parte da avaliação de necessidades.

“Os gargalos e a falta de compartilhamento de dados entre os diferentes serviços de saúde onde os pacientes são tratados causam o desperdício de tempo e de recursos humanos e materiais. O cenário que estamos construindo juntos é o oposto disso.” Marcelo Capra, Diretor do Serviço de Oncologia do Grupo Hospitalar Conceição, Porto Alegre, Brasil

Em Porto Alegre e Kigali, mais de 90% dos prestadores de serviços de atenção oncológica de cada uma dessas cidades contribuíram com dados para o processo de avaliação das necessidades do C/Can. Na cidade de Tbilisi, onde o atendimento oncológico é predominantemente fornecido por instituições privadas, 80% dos prestadores de serviços de atenção oncológica de toda a cidade contribuíram com dados – um total de 174 profissionais de saúde de 27 instituições de saúde.¹

Além de dar uma visão geral dos serviços oncológicos da cidade, em algumas áreas de interesse específicas, a avaliação também analisa o “como” e o  “por que” -“há equipamentos suficientes?” “Com que frequência eles são usados? “Existem protocolos de tratamento padronizados?”, “Há suficiente pessoal qualificado?” e “Existem cursos de formação adequados disponíveis?”- fornecer informações que posteriormente possam ser analisadas e contextualizadas por especialistas locais. Antes de aplicar o questionário em cada cidade, trabalhamos com técnicos locais especializados para contextualizar e adaptar as perguntas, caso necessário, reconhecendo que é possível que haja terminologia, processos e estruturas que são específicos da cidade/país. Com base nesse aprendizado e no feedback de cada uma de nossas cidades, o questionário é revisado e atualizado periodicamente para simplificar e aprimorar as perguntas e esclarecer a terminologia. Além disso, a plataforma digital usada para coletar, gerenciar e analisar os dados também é atualizada de acordo com o aprendizado adquirido com as cidades. Estamos trabalhando para obter maior funcionalidade para a segurança dos dados, controle de acesso, uso de vários idiomas, acompanhamento de respostas e limpeza de dados.

Incorporando a perspectiva dos pacientes

A implementação eficaz de serviços e programas de saúde requer a participação da comunidade em uma avaliação e análise compartilhadas da situação. Este é um dos princípios básicos do Marco de Participação Comunitária lançado pela OMS em 2017 para serviços de saúde de qualidade, centrados nas pessoas e resilientes. Nossa experiência reforçou a importância fundamental de envolver totalmente a sociedade civil e os grupos de pacientes em todo o processo da cidade participante no C/Can para garantir que suas necessidades específicas sejam reconhecidas e tratadas como parte de qualquer solução.

Através da combinação de grupos focais e entrevistas individuais a pacientes, um total de 925 pacientes participaram do processo nas primeiras 7 cidades do C/Can (Assunção, Cali, Kigali, Kumasi, Porto Alegre, Tbilisi, Yangon).

O C/Can está empenhado em aprofundar essa participação e, com base no feedback recebido das nossas equipes de campo e das partes interessadas locais, atualmente estamos revisando o questionário dos pacientes e nossa abordagem para conseguir envolver a comunidade antes, durante e depois do processo de avaliação das necessidades.

“É fundamental analisar a situação e planejar soluções de curto, médio e longo prazo que estejam respaldadas por políticas públicas e tenham como objetivo a melhoria dos serviços de atenção oncológica, beneficiando não só a cidade e o atendimento oncológico em geral, mas priorizando o paciente.” Dra. Angelica Samudio, Chefe dos Serviços de Hematologia e Oncologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da Universidade Nacional do Paraguai

Traduzir o questionário para o(s) idioma(s) local(is); chegar até os pacientes através de uma série de redes (grupos de pacientes, ONGss), tanto dentro como fora das instituições de saúde e em diferentes fases do tratamento; e informar claramente a finalidade, o valor e acompanhar a participação do paciente no processo do C/Can, são algumas das principais prioridades.

Concentrar-se em melhorar a qualidade dos dados coletados ao longo do processo do C/Can, observando a relevância, amplitude, consistência, integridade e precisão, entre outros componentes, é um pilar fundamental da estratégia emergente de dados do C/Can e uma prioridade para 2020.

 

Fique atento à próxima história da série, Trabalhar “de forma mais inteligente”, onde compartilharemos o que consideramos como os principais desafios e promotores do sucesso no processo de engajamento das cidades do C/Can, e como estamos usando esses conhecimentos para escalar nosso modelo.

 

¹ De acordo com um estudo recente sobre a qualidade dos dados realizado pelo C/Can nas 3 cidades participantes do desafio: Kigali, Porto Alegre e Tbilisi